Uma das principais discussões que envolve as discussões sobre o referendo do próximo domingo (e uma das que considero realmente relevantes e relacionadas com o que se deveria debater) é o facto de ao votar sim, estarmos a aceitar que a IVG/aborto seja efectuado num estabelecimento de saúde autorizado.
Um dos motivos do meu voto positivo é exactamente este. Aliás, como referi aqui, é um dos aspectos que a proposta retardada dos partidários do não esquecia.
Existe quem concorde se no Sistema Nacional de Saúde (SNS), quem concorde se fora do SNS, ou quem não concorde de todo.
Na minha opinião é aí que o mesmo deve ser realizado.
Em primeiro lugar porque, e ao contrário do que outros pretender fazer crer, a IVG praticada até às 10 semanas não implica (em situações normais) internamento.
E em segundo, porque é apenas desta forma (realizando num estabelecimento de saúde autorizado) que se pode combater o fenómeno das(os) IVG’s/abortos clandestinos. A proposta retardada dos partidários do não esquecia este aspecto, e esse “esquecimento” fazia com que as mesmas continuassem a ser realizadas de uma forma clandestina e, pior ainda, faria com que pessoas sem condições económicas a realizassem em locais sem o mínimo de condições.
Que o SNS não funciona correctamente e devia ser completamente reestruturado concordo, mas não é esse o assunto em debate actualmente…
Em relação a esta proposta, já anteriormente (no post Manipulação e Desonestidade) expliquei as minhas razões da não concordância.
Um outro aspecto em debate é se o SNS tem, ou não, condições para suportar esta situação. Obviamente, os partidários do não, referem que seria impossível suportar a situação, tendo em conta os problemas que já conhecemos (como aqui, no Blogue do Não).
Mas, nestes assuntos, devemos ser intelectualmente honestos…
Quem pode considerar que uma situação (IVG) que só em situações esporádicas levará a internamento, sendo realizada através de apoio medicamentoso e/ou pequenas cirurgias complementares (repito, sem necessidade de internamento), ocuparia o SNS mais do que os acessos ao SNS devido a problemas resultantes das IVG’s clandestinas.
E, a juntar a este aspecto, existe algo muito concreto que demonstra a desonestidade destes argumentos.
Se o SNS não tem condições para este aspecto (resolvido da forma anteriormente apresentada), como poderia ter condições para acompanhar todo o processo de gravidez das pessoas que fossem proibidas (algo impossível, mas enfim…) incluindo o parto e o perído de internamento (mínimo de três dias) relacionado?