é pena quando a maior parte discute os políticos e não a (organização) política…

Pode-se gostar de uns, e de outros nem tanto. Pode-se até adorar uns e detestar outros, mas o que importará certamente, e isto será muito mais produtivo, é discutir a política.

Já anteriormente o referi neste blog, e sinto a vontade (ou necessidade) de o voltar fazer. O que é necessário mudar em Portugal não são os políticos per si, mas sim a forma como a política nacional está estruturada.

E começar por uma área muito importante: passar a eleger um governo (ou pelo menos o Primeiro-Ministro) e alterar a forma como os deputados são eleitos, nomeadamente através da eleição dos mesmos através de ciclos uninominais.

A alteração principal passaria pela forma como os deputados seriam eleitos. Assim, em vez de existir a votação numa lista de candidatos em cada distrito (ou circulo eleitoral), a votação passaria a ser realizada com listas uninominais. Ou seja, qualquer pessoa poder-se-ia apresentar como candidato a deputado, sendo eleitos aqueles que tivessem mais votos no respectivo distrito.

Por exemplo, Vila Real elege cinco deputados, sendo normalmente três do PSD e dois do PS. Em vez desta distribuição, os cinco (ou menos – já lá vamos) indivíduos mais votados seriam os representantes desde círculo eleitoral na Assembleia da República. Penso que com isto se conseguiriam pessoas mais capazes, mais conhecedoras da realidade de cada região, fugindo-se às lógicas politico-partidárias existentes nestas eleições.

Para além deste aspecto, poder-se-ia também diminuir o número de deputados diminuiriam, obrigando assim a alterações no número de deputados que cada círculo eleitoral elege.

Por fim, e para além de todas estas modificações, no mesmo momento desta eleição haveria também eleições directas para o Primeiro-Ministro que, ao contrário do que hoje acontece (em que o Primeiro-Ministro não é eleito por ninguém) passaria a apresentar-se isolado a votos, podendo se assim entende-se apresentar as ideias para a constituição do seu governo. Assim, para além de todos terem, verdadeiramente, uma palavra (ou voto) a dizer sobre quem queriam que fosse o futuro chefe do governo, deixaria também de ter a lógica política até agora existente.

Para além de todos estes aspectos, estas alterações obrigariam ainda a uma verdadeira e real negociação com a Assembleia da República, para aprovação das diversas iniciativas legislativas.

Não é algo simples, mas penso que seria algo que ultrapassaria muitos dos actuais problemas da política actual.

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