a crise política revisitada

Olhando com quase uma semana de distância, a mesmo após as reacções dos diferentes partidos e de várias “personagens” do quadrante político nacional, mantenho a ideia e a opinião que, na altura, tive a oportunidade de partilhar nas redes sociais.

Não concordando, como já anteriormente referi, com eleições legislativas neste momento, pensava (e ainda penso) que a única solução que poderá permitir alguma estabilidade neste momento é a criação de um governo de iniciativa presidêncial. Lendo as palavras de Cavaco Silva, considero que o que foi proposto tratou-se uma espécie de última oportunidade aos partidos políticos do, chamado, “arco da governação”, que neste caso são os mesmos que apoiaram o Memorando de Entendimento com a Troika.

Entendo ainda, que a ideia de Cavaco Silva, passa mesmo pela “criação” de um governo de iniciativa presidencial, se a proposta do mesmo não for aceite, ou seja, se esses três partidos não se entenderem.

Daqui, só não concordo com este tempo dado a esses três partidos. Entendo, como também já referi, que esta coligação está ferida de morte (devido, essencialmente, ao pedido de demissão de Portas, e também não me parece possível que os mesmos partidos se entendam. Aliás, mesmo que neste momento, conseguisse ser firmado um qualquer acordo de convergência entre os três, o aproximar das eleições antecipadas para 2014, levaria a muito curto prazo, a um conjunto de lutas internas nesses partidos, e consequentemente a divergências neste acordo de “salavação” nacional, por forma a tentarem mostrarem-se. Seria quase um ano de campanha eleitoral. Algo totalmente desnecessário neste momento.

Três notas finais:

1. Este governo de iniciativa presidencial, permitiria ainda que as lutas internas que brevemente surgirão com forma no PSD, CDS e PS, não limitassem nem colocassem em causa, a estabilidade necessária.

2. Não me parece, ao contrário do que por aí vou lendo, que deixar PCP (e a sua bengala – PEV) e BE fora destas negociações seja incoerente e uma quebra democrática. Sendo a ideia, desde a base, o trabalhar com a Troika e no âmbito do Memorando de Entendimento, não faria qualquer sentido envolver os partidos que, desde o início, se colocaram foram de toda e qualquer negociação. Para além disso, aqueles que tanto defendem que estes partidos deviam estar presentes por representarem portugueses, e que apresentam assim uma visão tão clara da democracia, recordo apenas que também existem partidos que não têm presença parlamentar, mas que também contabilizaram votos nas eleições…

3. Assunção Esteves teve razão no que disse na Assembleia da República, aquando da manifestação dos sindicatos da função pública, aos berros de “fascismo nunca mais”. É inademissivel que aquilo aconteça e o “respeito” tanto abordado tem dois sentidos. Para além disso, quem lá está sentado, na AR, está porque foi eleito. Perdeu a razão, no entando, na citação de Simone de Beauvoir.

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