a semana que passou revisitada

Não tendo tido a disponibilidade para me debruçar sobre uma semana tão quente e recheada, fica aqui uma análise (muito) pessoal (como todas) sobre a mesma.

“com o rabinho entre as pernas”

Só posso classificar desta forma as declarações de diversos empresários na nossa praça, referente à diminuição da TSU. É difícil compreender como uma diminuição nos custos de produção, para o produtor, pode trazer “danos”, até porque existem dois caminhos simples para ultrapassar essa situação:

  1. Diminuir o preço do produto, tornando-o mais acessível.
  2. Aumentar os seus funcionários na mesma proporção.

Estas declarações, parecem não ser mais do que uma tentativa de se mostrarem sensíveis com o “povo”, numa esperança de, em alguns casos, colmatarem algumas atitudes menos bem aceites anteriormente.

“não se arranja um Luís”

Independentemente de se concordar ou não com as políticas apresentadas pelo governo uma coisa fica certa. É necessário alguém que, mais do que consciência do que estas medidas podem significar (porque quero acreditar que esses existem), compreenda o impacto dos comportamentos posteriores e das atitudes que, a partir desses momentos, devem (ou não) acontecer.

“mais valia teres estado calado”

Ao que parece, aquele que garantiu a António José Seguro, aquando da sua eleição, uma “uma lufada de ar fresco e um novo ciclo de esperança para a Europa” prepara-se para apresentar um conjunto de medidas que promovam cortes nas despesas e flexibilização das leis laborais. Segundo o mesmo, recorde-se, Hollande (o “autor” destas propostas) apresenta uma “visão progressista e alternativa às políticas erradas de austeridade excessiva.”

“agora parecem ser amigos da «velha», da «bruxa»”

Quando, em plena campanha para as legislativas de 2009, (que deu – para grande mal de Portugal e de todos os Portugueses – um segundo mandato a José Sócrates para afundar ainda mais governar o país) Manuela Ferreira Leite perguntava a Sócrates com que dinheiro este iria continuar a realizar todas as obras que propunha, os seguidores deste senhor foram ávidos a catalogar a mesma com expressões como acima referi.

Agora, parecem ter renascido e é vê-los, como se nunca nada tivessem feito e defendido, como se nada tivessem a ver com a situação actual do país, a salivarem com as declarações e comentários de Ferreira Leite às novas medidas apresentadas por este governo.

este é novo no PS e no país, não é?

Na comunicação que António José Seguro fez ao país, num momento que mais não pretendia do que condicionar a entrevista que Pedro Passos Coelho iria dar poucos minutos depois, apenas se podem destacar três aspectos:

  1. O voto contra no orçamento mais não é do que o levantar do dedo (como um aluno na escola) a dizer que ainda cá anda, para António Costa ver.. Para além de ser estranho que afirme que vai votar contra para dizer a seguir que vai apresentar propostas de alteração ao mesmo, foi apenas uma forma de se tentar mostrar, capitalizando a decepção de muitos face às medidas anunciadas anteriormente por Pedro Passos Coelho
  2. A moção de censura, ou a ameaça dela, ficou transparente aquando das primeiras palavras dessa comunicação. Não é nada de relevante, visto que muita água ainda vai correr, mas vai-lhe sair cara, dentro do próprio partido.
  3. Basicamente, a única proposta que AJS apresentou foi a de aplicar uma taxa às Parcerias Público-Privadas. Isto num momento em que as mesmas estão a ser negociadas e vindo do líder do partido que, aquando governo, mais usou e abusou dessas mesmas parcerias, com o fim que se conhecemos…

“nada de novo…”

… na entrevista de Pedro Passos Coelho na RTP1.

Tenho sérias dúvidas da eficiência de algumas das medidas apresentadas (TSU à cabeça, até por ser minimizada (anulada!) pelo aumento de outros impostos. Mas que fique claro, por muito que custe, e custa, muito terá que ser feito, muito terá que ser cortado.

Quero acreditar que ainda há tempo para alterar algumas políticas e, principalmente, alterar o enquadramento das mesmas. O ano extra que a Troika deu a Portugal pode ser importante, assim como é importante o papel de Cavaco Silva neste momento.

“resposta a António Costa”

Se António José Seguro soube antecipadamente (e mesmo que tal não tivesse acontecido) as medidas que o governo ia apresentar, a demora do mesmo para fazer qualquer comentário ou análise às mesmas não mais demonstra do que uma completa falta de preparação para o cargo que tem e para as funções que gostaria de exercer. Aliás, foi necessário António Costa vir a terreiro criticar algumas medidas para que Seguro se levantasse do buraco onde anda constantemente escondido.

O problema de Seguro é que ele sabe que nunca será Primeiro-Ministro, independentemente do que possa acontecer. Se este governo cair (o que não quero nem desejo) haverá um governo de iniciativa presidencial, mas se resistir, muitos outros se levantarão a seu tempo no Partido Socialista, com António Costa à cabeça.

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