bolonha, ensino superior e serviço social

O Diário de Notícias de hoje apresenta uma peça interessante sobre a aplicação do chamado "processo de Bolonha" no ensino superior em Portugal, sob o título de "Universidades falham processo de Bolonha".

Infelizmente não consigo deixar de concordar com muito do que aí é exposto. A verdade é que uma grande parte das alterações provocadas pelas adequações a este processo passaram apenas pela alteração (leia-se diminuição) da duração das licenciaturas.

Sendo certo que o "processo" está implementado na maior parte dos cursos do ensino superior e que muitas associações profissionais já exigem o mestrado como condição de acesso à profissão (psicologia, por exemplo), importa assumir de vez o que temos e assumir também um de três caminhos:

  1. Os três anos são suficientes para uma formação de nível superior, e ninguém poderá exigir mestrado (o que me parece a opção menos credível);
  2. Reformular toda a estrutura de Bolonha, readequando os cursos, com critérios rigorosos pré-definidos (o que me parece, nesta altura, pouco sustentável);
  3. Aceitar de vez, que estamos perante uma estrutura idêntica ao sistema bietápico antigo, em que apenas por acaso (ou por azar) se designou de licenciatura e mestrado, ao invés do que acontece na generalidade dos outros países (nomeadamente os anglo-saxónicos (bacharelato e mestrado).

Neste último caso, será necessário reestruturar profundamente a organização profissional, até como forma de "adequar" os antigos licenciados a mestres (o que parece que o Bloco de Esquerda se prepara para propor), que passará obrigatoriamente pelo assumir a necessidade dum mestrado e reformular os níveis profissionais.

Não consigo deixar de realçar as palavras de Gonçalo Xufre ao assumir que "Bolonha foi uma oportunidade perdida […] para o ensino superior", algo que, adequado ao Serviço Social, eu já tinha aqui escrito em Agosto de 2007, sob o título de "uma oportunidade perdida". Só tenho pena que se tenha demorado tanto tempo a dar conta disso.

Não consigo terminar sem aqui deixar as palavras duma colega, aquando duma conferência a que assisti sobre este processo. No final, e face às diferentes opiniões e declarações, perguntou-me: "Quantos processos de Bolonha conheces?"

20 Comments

  1. Caro Mav, deixe a psicologia em paz! Mas você quer comparar o incomparável? É mais que lógico que para preparar, minimamente, um psicólogo, que vai lidar com a psique das pessoas, sejam necessarios no minimo 5 anos de formação!Acresce, 1 ano de estágio académico, e para aceder à cerrrira de técnico superior de saúde, mais três anos de internato de especilaidade de psicologia clínica! Ora…não utilize a psicologia como exemplo! Não é comparável! Isto tudo sem desprimor ou desvalorizaçao da sua licenciatura!Não compare um curso da área social, com um curso da area das ciências psicológicas! São contextos exigências e e especificidades diferentes! cada qual com o seu valor é certo! A intervenção no aparelho psiquico exige essa formação minima aos psicólogos!

  2. Sorry pelos erros….mas quando se tenta comentar por aqui, a páginas tantas, já não se vê o que se escreve, sem andar a puxar as setas das caixas de diálogo, e ao escrever é sempre a “tremer”! arranje lá isso, Valerio!

  3. Ainda bem que hoje é dia 1 de Abril, senão ainda ia acreditar nestas suas palavras e que realmente o que está escrito é a sua ideia…

  4. Acredite! Não sei qual é o seu espanto???? Ou quer comparar as duas coisas??? Não falo da sua formação! Mas da minha área! Não é comparável! Isto não quer dizer que na sua, não devesse ser obrigatório o mestrado, para acesso à profissão! As minhas palavras vão no sentido de você utilizar como termo de comparação uma profissão que é bem distinta da sua!

  5. Meu caro, Dei apenas um exemplo de uma formação superior que exige mestrado como podia ter dado de qualquer outra…Quanto ao resto… tenha uma boa noite, já dei para esse peditório.

  6. Já deu…é verdade, mas essa da psicologia não lhe deve ter saido em vão….tendo em conta as suas crenças…ehehehe….e com o você é crente!Além do mais deu um exemplo, de uma profissão que você não conheçe!Logo…foi um mau exemplo!;)

  7. Não me parece ter sido um mau exemplo, pelo contrário…Quanto às crenças, todos as temos… umas mais irracionais que as outras, umas mais pavlovianas que as outras…

  8. Como Psicólogo, acho que foi um mau exemplo! Talvez devesse comparar com profissões da sua área! Que “mexam” com o mesmo tipo de coisas ou parecidas, agora se você quer crer o contrário…nem a palavra psicologia justifica a salivação!:)Ps: Deu para ver que sabe…psicologia….até conhece o Ivan Petrovich…ehehehehe

  9. Colega Manuel, concordo plenamente consigo que são necessários, no mínimo, 5 anos de formação de base para se preparar um psicólogo. No entanto, deixem-me acrescentar que tenho conhecimento de casos em que os novos licenciados em “Ciências Psicológicas” (3 anos, Bolonha) exercem funções como psicólogos e, pior, em organismos públicos. Não me perguntem como é que isto é legalmente possível, porque eu própria não o consigo explicar.Penso que o Miguel Valério quando se refere a “associações profissionais (psicologia, p.ex)” estará a referir-se à famigerada Ordem dos Psicólogos, não?! De facto, os estatutos do decreto-lei que a promulga prevêm como condição de acesso à profissão para os alunos pós-Bolonha o grau de mestrado mais um período de estágio regulamentado pela própria Ordem.No entanto, enquanto esta não se instala definitivamente… reina a discórdia no acesso ao exercício à profissão como, penso eu, em diversas outras áreas.

  10. Conhecendo a actual organização dos cursos superiores, seria difícil não concordarmos, certamente. A confusão com o meu nome é comum… Quando acrescido do meu sobrenome, então, nem imagina…Votos de uma boa Páscoa

  11. retribuo os votos de uma boa Páscoa e ficam os agradecimentos por não ter levado a mal.Mas agora fiquei curioso… não me quer adiantar o seu sobrenome?

  12. Bolonha foi uma fraude. Permitiu aumentar a taxa de desemprego, com a diminuição de anos de formação e simplificação dos curriculos dos cursos superiores. Por cada aluno formado, as respectivas universidades recebem mais dinheiro, sob forma de subsidios e de financiamentos estatais e parcerias com empresas privadas, onde normalmente os encargos são suportados pelo estado. O pior encontra-se ao nível dos quadros académicos de cada curso superior. Posso falar sobre uma década do ‘Estado de sitio’ da Educação e comparar com o modelo utilizado no Colégio da Europa, na Bélgica. Um curso de relações internacionais, com vertente Politico – Económica e de Cooperação, no I.S.C.I.E., que mais tarde seria UFP, através da fusão com o Instituto Erasmus, demorava 5 anos. Existia uma carga horária tremenda, onde os alunos chegavam a ter aulas de manhã e à tarde ou à tarde e à noite. O aluno encontrava-se naquele espaço para receber formação e estudar, existindo faltas e não sendo um modelo em que o aluno vive para as festas académicas e no final passa. Os alunos estagiavam no 3º ano e no 5º ano, com dois tipos de estágio diferenciados. No 3º ano um estágio na Bélgica e no 5º ano a entrega de uma monografia sob um tema do curso, que normalmente servia para muitos professores aprenderem e recolherem dados bibliográficos. Quem investigava antes de 1995 ?

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