Ainda sobre as Seringas…

(c) http://www.cienciahoje.pt/Sendo este um blog que se pretende relacionado, entre outros aspectos, com questões relacionadas com o trabalho social, e sendo este um tema que certamente interessará e que irá motivar bastantes discussões e comentários ao longo dos próximos dias, irei aqui apresentar, aquilo que for descobrindo pela blogosfera e pelos nosso media… Assim, estará sempre em constante actualização…

 

Importa assim (acho eu) ler:

Seringas nos Estabelecimentos Prisionais…

O Pedro Morgado (Avenida Central), colega doutras andanças, reagiu de forma curiosa à notícia que aqui se apresenta sobre a troca de seringas nos estabelecimentos prisionais…

Diz o Pedro (aqui) que:

a ideia de disponibilizar seringas nas prisões desafia a minha inteligência. Não era função do Estado garantir que as prisões sejam locais livres de drogas e seringas? Não serão as seringas uma arma a ser utilizada contra os guardas prisionais?

Acredito que seja uma dúvida de muitos. O que leva o Estado a disponibilizar formas de praticar um acto, que embora já não seja crime, é considerado ilegal, podendo as pessoas serem penalizadas pelo mesmo?

Considero que poderiam existir diversas formas de tentar justificar esta situação, mas penso que seria pior que o Estado não admitisse uma realidade: a existência de tráfico e consumo de estupefacientes nos estabelecimentos prisionais portugueses.

Aliás, esta existência é de tal forma conhecida e real, que existem, em diversos estabelecimentos prisionais (Guimarães, por exemplo) grupos de auto-ajuda a funcionarem (promovido pelo Projecto Homem de Braga. Noutros locais (estabelecimento prisional de Lisboa, salvo erro) existem, pelo menos desde 1998, alas livres de drogas…

É certo que aqui falamos da recuperação de toxicodependentes, mas sejamos coerentes, para que existam programas de recuperação dentro dos estabelecimentos prisionais, têm que existir toxicodependentes… dentro dos estabelecimentos prisionais… Também por isso se falou da criação de salas de injecção assistidas dentro destes estabelecimentos.

Em relação à primeira questão que o Pedro coloca, apelo à imaginação… Já pensaram no que seria um estabelecimento prisional com capacidade para 90/100 reclusos, ter 75% dos mesmos em síndroma de abstinência, sem qualquer tipo de apoio medicamentoso? Ou seja, a ressacar completamente a frio? E mesmo quando esta fase estivesse ultrapassada, o que aconteceria com as ressacas psicológicas dos reclusos?

Temos (devemos) que ser práticos. O consumo de drogas nos estabelecimentos prisionais é uma realidade, bastando para tal ver a quantidade de reclusos em Portugal, condenados por crimes relacionados com o consumo/tráfico de estupefacientes. Vamos fazer de conta que não existem?

Mas, acima de tudo, a disponibilização de seringas nos estabelecimento prisionais (assim como os programas de trocas de seringas na “sociedade aberta” é uma forma de controlo e de promoção da saúde pública. Com ou sem elas (as seringas) os consumos continuariam a existir. Desta forma podemos, pelo menos, minimizar os riscos de transmissão de doenças infecto-contagiosas em contexto prisional.

Será sempre uma forma de conseguir trabalhar com os mesmos para uma futura intervenção na recuperação desta população toxicodependente… Intervenção essa que deve ser completa (física e psicológica) e não apenas que cure a abstinência física das mesmas.

16º Congresso Mundial da IFTA

Decorrerá, entre os dias 26 e 29 de Março de 2008, no Porto, o XVI Congresso Mundial da Associação Internacional de Terapia Familiar (IFTA). Este congresso terá como tema principal “Transformação e Globalizações: Terapia Familiar no Séc. XXI”.

Poderão ser submetidas comunicações até ao dia 31 de Outubro.

 

Para mais informações, consulte a página oficial do evento, aqui.

Nem Mais…

Há uns meses, foi o destaque dado a um cartaz afixado no Marquês de Pombal. Se ninguém lhe tivesse atribuído a projecção que não merecia, o cartaz continuaria a ter a inutilidade e irresponsabilidade que transmite: contra a imigração e pelo nacionalismo.
Desta feita, dá voz a alguém que pelos vistos parece desconhecer a construção do nosso país, como se a influência árabe, como outras, não fizesse parte do código genético lusitano, sem esquecer a já batida lengalenga contra os imigrantes. Aqui a incongruência alcança níveis elevados de irresponsabilidade, pois esquecem-se os milhões de emigrantes portugueses espalhados pelo mundo.
Quem na direcção do jornal referência da Avenida da Liberdade permite protagonismo a quem não assume, e felizmente não tem, responsabilidades políticas no País, devia ter mais atenção pela sua função pública, de informar, não de propagandear demagogia e xenofobia.