As “Minhas” Notícias do Dia (07.02.07) – Actualizado



Maioria pró salas de injecção (O Primeiro de Janeiro)

«A cidade do Porto pode vir a ter salas de injecção
assistida, vulgarmente conhecidas como «salas de chuto», numa
iniciativa que está a ser analisada como um complemento da actual
política camarária de luta contra a toxicodependência.


A eventual abertura de salas de chuto no Porto foi o tema central de
uma reunião à porta fechada, que decorreu anteontem nos Paços do
Concelho, juntando os 13 vereadores do PSD, PS, CDS e CDU do executivo
municipal, autarcas de todos os partidos representados na Assembleia
Municipal e técnicos especializados na área.
»

Cavaco pede mais acesso dos carenciados à Saúde (Jornal de Notícias)

«Cavaco Silva fez, ontem, um apelo para que o acesso às informações de saúde seja facilitado, realçou que existem “franjas da sociedade e do território em clara desvantagem no acesso aos cuidados médicos” e pediu ao Governo que crie programas concretos de prevenção do consumo de tabaco, álcool e drogas, da obesidade e dos acidentes rodoviários e laborais.»

Presidente da República crítica falhas no SNS (Diário de Notícias)

«O palavras do Presidente da República. Cavaco Silva acabava de lançar críticas ao actual Sistema Nacional de Saúde (SNS). Sobretudo porque, sublinhou, “existem franjas da sociedade e do território em clara desvantagem no acesso aos cuidados médicos”.»

Futura legislação sobre o aborto vai obrigar a aconselhamento (Jornal de Notícias)

«“Um sistema que evite um desespero momentâneo, que seja capaz de acompanhar a mulher para atitudes amplamente reflectidas” foi a proposta ontem avançada pelo secretário-geral do PS, afirmando que é “assim que se legislará em Portugal” caso o “Sim” vença o referendo do próximo domingo.»

As “Minhas” Notícias do Dia (06.02.07)

Primeira sala de Injecção Assistida em Lisboa no segundo trimestre do ano (Jornal de Notícias)

Mãe acusa tribunal de lhe retirar filhas só “por ser pobre” (Jornal de Notícias)

Computador para criança com paralisia (Jornal de Notícias)

Mais medidas de protecção nos Hospitais Psiquiátricos (Jornal de Notícias)

Dois milhões de meninas alvo de mutilação genital (Jornal de Notícias)

Apoio a arrendamento jovem cai 50% em 2007

«A verba orçamental disponível para apoiar jovens arrendatários vai estar limitada este ano a 32,7 milhões de euros, soube o DN junto do Instituto Nacional da Habitação (INH). Este plafond, inexistente em anos anteriores, corresponde a metade da despesa anual média registada entre 2004 e 2006 (cerca de 62 milhões de euros) e reflecte a nova filosofia adoptada pelo Governo em matéria de apoio a jovens que vivam em casas arrendadas, que se materializa, desde já, no abandono do programa Incentivo ao Arrendamento Jovem (IAJ).»

Diário de Notícias, 05.02.07
Ver Artigo Completo

Manipulação e Desonestidade

Considero que a proposta apresentada hoje pelos defensores do não, é uma mera (e muito baixa) forma de manipulação dos eleitores e demonstra uma enorme capacidade de desonestidade intelectual dos defensores do não, provando novamente a falta de escrúpulos, decência e coerência dos mesmos.

Acredito ainda que tal não teria acontecido caso a RTP não tivesse decidido fazer uma segunda mão do “Prós & Contras”, quando na primeira o sim goleou

Mas, façamos um pequeno exercício cognitivo.

Suponhamos que a proposta dos defensores do não (continuação de crime, mas término da punição) era aprovada (proposta de despenalização que vem substituir a questão da despenalização do referendo – sou só eu que acha isto ridiculo e manipulador…).


QUE DIFERENÇAS TRARIA SOBRE UMA VITÓRIA DO SIM?

Vejamos…

– Sobrepõe-se o direito da mulher ao do feto (como aconteceria se o sim ganhasse)

– Acabam os julgamentos e as condenações (como aconteceria se o sim ganhasse)

– A IVG pode ser praticada por opção da mulher (como aconteceria se o sim ganhasse)

– O número de abortos pode aumentar, diminuir, ou manter-se, embora as “experiências” internacionais me façam crer que diminuirá (como aconteceria se o sim ganhasse)

– O acesso à IVG continua livre (como acontece actualmente e como aconteceria se o sim ganhasse).

– A IVG continuará clandestina nos casos não previstos no Código Penal. Não sendo legal não pode ser praticada legalmente (como NÃO aconteceria se o sim ganhasse)

– A IVG continua acessivel (em condições de segurança e higiene) para quem tem capacidade financeira e, mais ou menos, acessivel para quem não tem essa capacidade , tendo que recorrer a métodos que perigam a vida das mesmas (como NÃO aconteceria se o sim ganhasse)

– Continuarão a morrer mulheres por praticar a IVG sem condições (como NÃO aconteceria se o sim ganhasse)

Já agora, o que têm a dizer os defendores da “vida”? E não me venham com a treta o argumento de que mantêm-se crime, porque um crime sem penalização não é crime, nem nunca teria o tal efeito dissuador que tanto defendem.

RESUMINDO…

 

 

A proposta apresentada pelos defensores do não, promoverá uma situação idêntica à proposta do referendo exceptuando o facto de que continuaremos a ver a IVG a ser realizada em locais sem o mínimo de condições, onde se coloca em perigo a saúde das mulheres que optem (agora já podem…) pela mesma, mantendo a situação de exclusão e discriminação social e económica que referi e desenvolvi aqui.

 

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Adenda (05.02.07, 13:25)

Pelos vistos até os defensores do “não” acham que esta proposta,

«Para além de ser desonesta nesta fase da campanha […] é totalmente ilegítima, caso vença o «Não»: ou a vontade das pessoas que respondem áquela pergunta é respeitada, ou então não valeria a pena sequer fazer a pergunta. Não se pode andar a brincar e a gozar com as pessoas.»

(Blogue do Não)

 

 

 

 

As “Minhas” Notícias do Dia

Pedido Fim Universal da Pena de Morte (Jornal de Notícias)

Tráfico de Mulheres gera cerca de 25M Milhões de Euros no Mundo (Diário Digital)

Um Ministério Público mais Atento e Eficaz (Primeiro de Janeiro)

Ignorados pelos Pais, mas Impedidos para Adopção (Diário de Notícias)

“Para os Juízes, a família biológica está acime de tudo” (Diário de Notícias)

IVG – As Minhas Razões

As minhas razões para votar sim à despenalização da interrupção voluntária da gravidez (IVG – ou aborto para não ferir susceptibilidades), são simples, como simples é a questão em referendo, embora muitos pretendam fazer crer o contrário.
Muitos aspectos poderiam ser abordados, mas tentarei centrar-me no que considero essencial, partindo de três (3) pressupostos principais.

1. A Liberalização da IVG (ou aborto para não ferir susceptibilidades)
Esta é uma das questões que se coloca actualmente. Muitos defendem que, caso o sim ganhe no dia 11 de Fevereiro, a IVG (ou aborto para não ferir susceptibilidades) vai ficar liberalizada. Errado.
Errado, porque a IVG (ou aborto para não ferir susceptibilidades) é, actualmente em Portugal, livre. Qualquer mulher que opte pela IVG (ou aborto para não ferir susceptibilidades) pode realizá-la. E, como quem a pretende efectuar, a pode executar, chama-se a este facto/situação, liberalização.
A única questão que aqui se coloca é como e onde a mesma é realizada.

2. As Condições
Daqui, resultam duas (2) condições: ou (a) está enquadrado nas permissões do actual Código Penal (CP), ou (b) não está enquadrado nas permissões do actual CP.
Se estiver (condição a), será feito em plenas condições de segurança (embora nem sempre assim seja, como verificamos recentemente, numa situação onde, estando em risco a vida de uma mulher, foi obrigada a ir a Espanha…).
Caso não esteja enquadrado no actual CP (condição b), resultam duas (2) sub-condições: (a) existe capacidade financeira ou (b) não existe capacidade financeira.
Se existir capacidade financeira (sub-condição a) a resolução é simples. Num consultório médico da localidade onde vive (ou numa outra mais ou menos perto) ou seguindo as SCUT’s (pagas pelo Estado!!!) até Espanha, onde a IVG (ou aborto para não ferir susceptibilidades) é praticada em total condições de segurança e higiene.
Se não existir essa capacidade financeira (sub-condição b), é que tudo se torna mais complicado. Em casa, sem acompanhamento médico, ou na “casa” de um “entendedor”, com medicamentos, agulhas ou outro método sem o mínimo de condições de higiene e segurança, onde é colocada em risco a saúde (muitas vezes sem regresso) da própria mulher.

3. A despenalização da IVG (ou aborto para não ferir susceptibilidades)
É nestas duas últimas, e (na minha opinião) principalmente na última (a não existência de capacidade financeira), que as mulheres são judicialmente perseguidas, julgadas e condenadas pelo sistema judicial português.
Esta situação transforma o julgamento e a condenação (que existe, é escusado mentir descaradamente escondendo este facto) das mulheres que praticam a IVG (ou aborto para não ferir susceptibilidades) numa completa e plena situação de exclusão e descriminação social e económica (para além das outras condições de exclusão já existentes) das mesmas.
Existem, é certo, algumas que não são perseguidas, julgadas e condenadas. Em muitos dos casos, são as mulheres que morrem

Algumas Considerações Finais
– Dou (permitam-me a expressão) “de barato” a existência de vida às 10 semanas. Contudo, também existe a mesma vida em situações de violação, de risco de vida para a grávida e de malformação do feto. Aqui será menos vida? Se a vida é igual à de alguém nascido, não deveria ser homicídio. Estas são algumas hipocrisias de alguns defensores do não.
Digo de alguns, porque outros defendem claramente que nestas situações a IVG (ou aborto para não ferir susceptibilidades) não deveria ser permitida, obrigando as mulheres a levarem a gravidez até ao final. E isto é algo que me preocupa, porque acredito que caso o não vença, brevemente teremos este assunto em discussão e, alguns dos actuais argumentos do não, serão idênticos para justificar a total criminalização da IVG (ou aborto para não ferir susceptibilidades).
– Foi aprovada parlamentarmente e promulgada pelo Exmo. Sr. Presidente da República a Procriação Medicamente Assistida, que implica a utilização de embriões humanos para investigação científica. Não vi nenhum dos defensores do não, revoltar-se com esta situação. Isto faz-me pensar que o que está em causa não é a vida do feto, mas a opção da mulher (e de quem mais poderia ser a decisão?).
– Li um post num blog (desculpem mas não sei qual) que, face à igualdade entre homem e mulher neste assunto, questionava (e faço dessa também uma minha questão): Se defendem a igualdade, concordarão certamente que o homem, se justificar com perigo de grave e irreversível lesão para a sua a sua saúde psíquica possa obrigar a mulher a praticar a IVG (ou aborto para não ferir susceptibilidades), certo? É que isto também é igualdade Estarão com razão se disserem que não são estes últimos aspectos que vão a referendo, mas também não é a vida, nem a IVG (ou aborto para não ferir susceptibilidades) em si, mas sim a despenalização desta última.

Conclusão

Por todos estes motivos…
Por uma vida desejada…
Por uma sociedade solidária…
Por uma sociedade que não criminalize as mulheres…
Por uma sociedade que não descrimine as mulheres…
Porque o que está realmente em debate é a despenalização…
Porque a liberalização já existe…
Porque a perseguição judicial, julgamento e condenação das mulheres também existe…
EU VOTO SIM DIA 11 DE FEVEREIRO