IVG – As Minhas Razões

As minhas razões para votar sim à despenalização da interrupção voluntária da gravidez (IVG – ou aborto para não ferir susceptibilidades), são simples, como simples é a questão em referendo, embora muitos pretendam fazer crer o contrário.
Muitos aspectos poderiam ser abordados, mas tentarei centrar-me no que considero essencial, partindo de três (3) pressupostos principais.

1. A Liberalização da IVG (ou aborto para não ferir susceptibilidades)
Esta é uma das questões que se coloca actualmente. Muitos defendem que, caso o sim ganhe no dia 11 de Fevereiro, a IVG (ou aborto para não ferir susceptibilidades) vai ficar liberalizada. Errado.
Errado, porque a IVG (ou aborto para não ferir susceptibilidades) é, actualmente em Portugal, livre. Qualquer mulher que opte pela IVG (ou aborto para não ferir susceptibilidades) pode realizá-la. E, como quem a pretende efectuar, a pode executar, chama-se a este facto/situação, liberalização.
A única questão que aqui se coloca é como e onde a mesma é realizada.

2. As Condições
Daqui, resultam duas (2) condições: ou (a) está enquadrado nas permissões do actual Código Penal (CP), ou (b) não está enquadrado nas permissões do actual CP.
Se estiver (condição a), será feito em plenas condições de segurança (embora nem sempre assim seja, como verificamos recentemente, numa situação onde, estando em risco a vida de uma mulher, foi obrigada a ir a Espanha…).
Caso não esteja enquadrado no actual CP (condição b), resultam duas (2) sub-condições: (a) existe capacidade financeira ou (b) não existe capacidade financeira.
Se existir capacidade financeira (sub-condição a) a resolução é simples. Num consultório médico da localidade onde vive (ou numa outra mais ou menos perto) ou seguindo as SCUT’s (pagas pelo Estado!!!) até Espanha, onde a IVG (ou aborto para não ferir susceptibilidades) é praticada em total condições de segurança e higiene.
Se não existir essa capacidade financeira (sub-condição b), é que tudo se torna mais complicado. Em casa, sem acompanhamento médico, ou na “casa” de um “entendedor”, com medicamentos, agulhas ou outro método sem o mínimo de condições de higiene e segurança, onde é colocada em risco a saúde (muitas vezes sem regresso) da própria mulher.

3. A despenalização da IVG (ou aborto para não ferir susceptibilidades)
É nestas duas últimas, e (na minha opinião) principalmente na última (a não existência de capacidade financeira), que as mulheres são judicialmente perseguidas, julgadas e condenadas pelo sistema judicial português.
Esta situação transforma o julgamento e a condenação (que existe, é escusado mentir descaradamente escondendo este facto) das mulheres que praticam a IVG (ou aborto para não ferir susceptibilidades) numa completa e plena situação de exclusão e descriminação social e económica (para além das outras condições de exclusão já existentes) das mesmas.
Existem, é certo, algumas que não são perseguidas, julgadas e condenadas. Em muitos dos casos, são as mulheres que morrem

Algumas Considerações Finais
– Dou (permitam-me a expressão) “de barato” a existência de vida às 10 semanas. Contudo, também existe a mesma vida em situações de violação, de risco de vida para a grávida e de malformação do feto. Aqui será menos vida? Se a vida é igual à de alguém nascido, não deveria ser homicídio. Estas são algumas hipocrisias de alguns defensores do não.
Digo de alguns, porque outros defendem claramente que nestas situações a IVG (ou aborto para não ferir susceptibilidades) não deveria ser permitida, obrigando as mulheres a levarem a gravidez até ao final. E isto é algo que me preocupa, porque acredito que caso o não vença, brevemente teremos este assunto em discussão e, alguns dos actuais argumentos do não, serão idênticos para justificar a total criminalização da IVG (ou aborto para não ferir susceptibilidades).
– Foi aprovada parlamentarmente e promulgada pelo Exmo. Sr. Presidente da República a Procriação Medicamente Assistida, que implica a utilização de embriões humanos para investigação científica. Não vi nenhum dos defensores do não, revoltar-se com esta situação. Isto faz-me pensar que o que está em causa não é a vida do feto, mas a opção da mulher (e de quem mais poderia ser a decisão?).
– Li um post num blog (desculpem mas não sei qual) que, face à igualdade entre homem e mulher neste assunto, questionava (e faço dessa também uma minha questão): Se defendem a igualdade, concordarão certamente que o homem, se justificar com perigo de grave e irreversível lesão para a sua a sua saúde psíquica possa obrigar a mulher a praticar a IVG (ou aborto para não ferir susceptibilidades), certo? É que isto também é igualdade Estarão com razão se disserem que não são estes últimos aspectos que vão a referendo, mas também não é a vida, nem a IVG (ou aborto para não ferir susceptibilidades) em si, mas sim a despenalização desta última.

Conclusão

Por todos estes motivos…
Por uma vida desejada…
Por uma sociedade solidária…
Por uma sociedade que não criminalize as mulheres…
Por uma sociedade que não descrimine as mulheres…
Porque o que está realmente em debate é a despenalização…
Porque a liberalização já existe…
Porque a perseguição judicial, julgamento e condenação das mulheres também existe…
EU VOTO SIM DIA 11 DE FEVEREIRO

Direito de Resposta “Caro Miguel”

 

Caro Fernando Vilela,

Fique claro que (obviamente) aceito a seu direito a não publicar artigos de opinião contrários à sua, mas o facto de ter publicado na página “netbila” – em http://netbila.net/jornal/index.php?option=com_frontpage&Itemid=1” o e-mail que respeitosamente me enviou, obriga-me (como forma de cumprimento do meu direito de resposta) a responder-lhe.Pelo motivo indicado (a sua opção editorial), não irei neste local, debater este assunto consigo, nem tão pouco expressar a minha opinião. Contudo, e se assim entender, poderá fazê-lo no meu blog, em resposta ao mesmo ou a outros posts escritos.

Gostava de o esclarecer que hesitei no envio do artigo para o site que administra. Mas, e após ler o “estatuto editorial” do mesmo (em http://netbila.net/jornal/index.php?option=com_content&task=view&id=10&Itemid=25 onde refere “O NetBila é um portal informativo aberto à opinião”), nada me indicava ser uma página sobre a defesa do não à despenalização da IVG/Aborto, presumindo (erradamente – compreendo agora) que poderia ser um local de discussão e aberto a opiniões sorbre um assunto na “ordem do dia” na sociedade portuguesa.

Fica à sua opção, a publicação deste e-mail no seu site, com igual ou diferente enfase do que foi “dado” ao seu.

Da mesma forma como publica o e-mail que me enviou, também farei o mesmo.

O artigo que lhe enviei está publicado em http://mvalerioblog.wordpress.com/2007/01/25/uma-pequena-consideracao/
Seguindo a mesma lógica indicada anteriormente (a não discussão do tema através deste meio, brevemente responderei aos argumentos apresentados na sua comunicação, num post no referido blog [http://mvalerioblog.wordpress.com].

Com os melhores cumprimentos transmontanos.
Sou, atenciosamente,
Miguel Ângelo F. M. Valério

Instituições maiores falham na educação de jovens internados

«O modelo de acolhimento em instituições de crianças e jovens em risco que existe em Portugal não está a funcionar. Sobretudo, nas instituições de maior dimensão (com mais de 30 jovens), que são 97 das 218 existentes no país. Só 59 albergam até 15 internos. Os jovens vivem afastados da realidade exterior, não criam laços afectivos com os técnicos nem são apoiados no momento da saída. A maioria teve maus resultados escolares e exerce trabalhos precários e de curta duração, e poucos concluem um curso superior.»

Jornal de Notícias, 02.02.07
Ver Artigo Completo

TC considera inconstitucional lei que regula o apoio judiciário

 

«O Tribunal Constitucional considera que a fórmula de cálculo do rendimento para efeitos de apoio judiciário viola o acesso ao direito e aos tribunais, consagrado no artigo 20.º da Constituição da República.»

Jornal de Notícias, 02.02.07
Ver Artigo Completo

 

 

Uma Questão de???

Parece que os adeptos do NÃO começam a estar mesmo preocupados. Senão, veja-se este exemplo, onde se justifica o NÃO à despenalização/descriminalização do aborto/IVG (sim, porque é isto que está em causa no referendo) com…1. Conduzir sobre efeito de álcool
2. Estacionar no meio da rua
3. Fugir ao fisco
4. Vazar poluentes tóxicos para os rios
5. Insultar pessoas com base nas suas características raciais ou opções sexuais
6. Explorar emigrantes ilegais

Tudo… porque estes actos (a IVG também) acontece por ignorância e falta de civismo…

Realmente, deve ser necessário ser MUITO inteligente, e ter elevado civismo para fazer um post como este aqui.